Síntese: Modelo de Gerenciamento de Rede – ISO (7498-4)

De acordo com a ISO (ISO 7498-4), a gerência de redes pode ser classificada em cinco áreas funcionais: gerência de falhas, gerência de contabilização, gerência de configuração, gerência de desempenho e gerência de segurança. Embora esta classificação, geralmente referenciada como FCAPS (Fault, Configuration, Accounting, Performance and Security), tenha sido desenvolvida para o modelo OSI, houve uma grande aceitação desta por parte dos fabricantes de hardware e software de rede, tanto em tecnologias padronizadas como em proprietárias.

O FCAPS serve de base por definir áreas funcionais da gerência de redes:

  • Gerência de falhas: detecta, isola, notifica e corrige operações anormais no funcionamento dos recursos de rede;
  • Gerência de configuração: responsável pelo registro, manutenção dos parâmetros de configuração dos serviços da rede e implementação de facilidades para atualização ou modificação dos recursos de rede, tais como versões de hardware e de software;
  • Gerência de contabilização: registra o uso da rede por parte de seus usuários com objetivo de cobrança ou regulamentação, isto é, implementa facilidades para alocação dos recursos e definição de métricas para uso dos mesmos;
  • Gerência de desempenho: responsável pela medição e disponibilização das informações de desempenho dos serviços de rede. Estes dados são usados para garantir que a rede opere em conformidade com a qualidade do serviço acordado com os seus usuários e para análise de tendência;
  • Gerência de segurança: restringe o acesso à rede e impede o uso incorreto por parte de seus usuários, de forma intencional ou não, protegendo a operação dos recursos de rede.

Gerência de Falhas (Fault)

Falhas não são o mesmo que erros. Uma falha é uma condição anormal cuja recuperação exige ação de gerenciamento e normalmente é causada por operações incorretas ou um número excessivo de erros. Por exemplo, se uma linha de comunicação é cortada fisicamente, nenhum sinal pode passar através dela. Um grampeamento no cabo pode causar distorções que induzem a uma alta taxa de erros. Certos erros como, por exemplo, um bit errado em uma linha de comunicação, podem ocorrer ocasionalmente e normalmente não são considerados falhas [6].

Para controlar o sistema como um todo, cada componente essencial deve ser monitorado individualmente para garantir o seu perfeito funcionamento. Quando ocorre uma falha, é importante que seja possível, rapidamente:

  • Determinar o componente exato onde a falha ocorreu;
  • Isolar a falha do resto da rede, para que ela continue a funcionar sem interferências;
  • Reconfigurar ou modificar a rede para minimizar o impacto da operação sem o componente que falhou;
  • Reparar ou trocar o componente com problemas para restaurar a rede ao seu estado anterior.

A gerência de falhas tem, portanto, três grandes responsabilidades: o monitoramento dos estados dos recursos da rede, a manutenção de cada um dos objetos gerenciados e as decisões que devem ser tomadas para restabelecer as unidades do sistema que possam apresentar problemas. O ideal é que, as falhas que possam ocorrer, sejam detectadas antes que os seus efeitos sejam percebidos.

O impacto e a duração do estado de falha podem ser minimizados pelo uso de componentes redundantes e rotas de comunicação alternativas, para dar à rede um maior grau de tolerância às falhas.

Gerência de Configuração (Configuration)

O gerenciamento de configuração está relacionado à inicialização da rede e com uma eventual desabilitação de parte ou de toda a rede. Também está relacionado às tarefas de manutenção, adição e atualização de relacionamentos entre os componentes e da situação dos componentes durante a operação da rede [6].

O gerente da rede deve ser capaz de, identificar os componentes da rede e definir a conectividade entre eles, além de modificar a configuração em resposta às avaliações de desempenho, recuperação de falhas, problemas de segurança, atualização da rede ou para atender às necessidades dos usuários.

Gerência de Contabilização (Accounting)

Mesmo que nenhuma cobrança interna seja feita pela utilização dos recursos da rede, o administrador da rede deve estar habilitado para controlar o uso dos recursos por usuário ou grupo de usuários, com o objetivo de [6]:

  • Evitar que um usuário ou grupo abuse de seus privilégios de acesso e monopolize a rede, em detrimento de outros usuários;
  • Evitar que usuários façam uso ineficiente da rede, assistindo-os na troca de procedimentos e garantindo a desempenho da rede;
  • Conhecer as atividades dos usuários com detalhes suficientes para planejar o crescimento da rede.

O gerente da rede deve ser capaz de especificar os tipos de informações de contabilização que devem ser registrados em cada nó, o intervalo de entrega de relatórios para nós de gerenciamento de mais alto nível e os algoritmos usados no cálculo da utilização.

Gerência de desempenho (Performance)

O gerenciamento do desempenho consiste na monitoração das atividades e controle dos recursos através de ajustes e trocas, possibilitando a obtenção de informações para avaliar o comportamento dos recursos da rede através de determinados parâmetros como: nível de utilização, perfil de tráfego, vazão (throughput), existência de gargalos, tempo de resposta, latência (atrasos), jitter, disponibilidade, níveis de QoS (em redes MPLS), perdas de pacotes, entre outros [6].

Para tratar estas questões, o gerente deve focalizar um conjunto inicial de recursos a serem monitorados, a fim de estabelecer níveis de desempenho. Isto inclui associar métricas e valores apropriados aos recursos de rede que possam fornecer indicadores de diferentes níveis de desempenho. Muitos recursos devem ser monitorados para se obter informações sobre o nível de operação da rede. Colecionando e analisando estas informações, o gerente da rede pode ficar mais capacitado no reconhecimento de indicadores de degradação de desempenho.

As redes de computadores hoje são constituídas de uma variedade de dispositivos, de diferentes padrões, implementando diferentes protocolos, oferecendo diferentes níveis de serviço, e que devem se intercomunicar e compartilhar dados e recursos. Na maioria dos casos, a eficiência da aplicação que faz uso destes recursos está altamente relacionada ao bom desempenho da rede.

Estatísticas de desempenho podem ajudar no planejamento, administração e manutenção de grandes redes. Estas informações podem ser utilizadas para reconhecer situações de gargalo antes que elas causem problemas para o usuário final. Ações corretivas podem ser executadas, tais como: trocar tabelas de roteamento para balancear ou redistribuir a carga de tráfego durante horários de pico, priorizar tráfego/aplicações, ou ainda indicar a necessidade de expansão de links, roteadores e servidores.

O gerenciamento de desempenho, portanto, é importante não só para garantir a qualidade de serviço necessária às aplicações, como também para assegurar que ela possa ser atingida com os menores custos. Pode-se por meio do gerenciamento de desempenho adequar os meios de comunicação utilizados pelos usuários às suas reais necessidades, auxiliando o gerente da rede a antecipar-se aos usuários na manutenção dos níveis de desempenho dos serviços oferecidos.

Dentre as atividades mais importantes da gerência de desempenho de redes, pode-se citar: monitoramento do desempenho, caracterização de carga de trabalho (perfil de tráfego ou workload), ajuste de parâmetros do sistema, identificação de gargalos, comparação de desempenho entre sistemas alternativos, dimensionamento de componentes do sistema, previsão de crescimento e tendências.

Gerência de Segurança (Security)

O gerenciamento da segurança provê facilidades para proteger recursos da rede e informações dos usuários, que devem estar disponíveis apenas para usuários autorizados. É necessário que a política de segurança seja robusta e efetiva e que o sistema de gerenciamento da segurança seja, ele próprio, seguro [6].
O gerenciamento de segurança trata de questões como:

  • Geração, distribuição e armazenamento de chaves de criptografia;
  • Manutenção e distribuição de senhas e informações de controle de acesso;
  • Monitoração e controle de acesso à rede ou parte dela e das informações obtidas dos nós da rede;
  • Coleta, armazenamento e exame de registros de auditoria e logs de segurança, bem como ativação e desativação destas atividades.

Fonte: http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialgmredes1/pagina_3.asp

Grande abraço,
Eduardo Henrique Rizo

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Coordenador de Internet da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e professor universitário de disciplinas relacionadas ao desenvolvimento de sistemas para Web, gerenciamento de servidores, serviços e redes.

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Publicado em Gerenciamento de Redes, Gerenciamento de Serviços de TI

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